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Sabia que?

1.3 biliões de pessoas no mundo vivem sem eletricidade o que faz do acesso a energia um problema mundial fulcral, premente de resolução. Esta situação tem levado a pressões ambientais, económicas e sociais acrescidas.
Estima-se que comunidades rurais contribuam em 25% para as emissões globais de CO2. Este valor é superior à contribuição combinada dos carros, comboios e aviões do planeta.
O uso de biomassa como combustível para cozinhar contribui, em conjunto com a degradação florestal e a desflorestação, para cerca de 18% do total das emissões de GEE.
A poluição do ar doméstico, resultante de queima de combustíveis, é responsável por 12% da poluição do ar ambiente a nível mundial.
Mais de 4 milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano pela inalação dos fumos produzidos pela queima de combustíveis para cozinhar.
A poluição do ar doméstico causa de cancro do pulmão, doença pulmonar crónica e catarata. A exposição ao fumo excessivo é o principal fator de risco para essas doenças.
O uso de fogões rudimentares ou fogueiras potencia a inalação de monóxido de carbono e outros poluentes a níveis 100x superiores aos recomendados pela OMS.
A deposição indiferenciada e incorreta de resíduos em locais inapropriados, muitas vezes junto das comunidades, tem consequências ao nível da contaminação dos solos e água.
90% das doenças diarreicas registadas em África estão relacionados com poluição ambiental, falta de água potável e falta de saneamento.
Estima-se que 1,8 biliões de pessoas usem uma fonte de água potável que está infetada com fezes de origem humana ou animal.
Em África, a extração de madeira para lenha doméstica ou para a produção de carvão representa cerca de 66.000 hectares por ano.
Em países da Africa Subsariana o consumo de madeira para cozinhar é 200% superior à taxa de crescimento anual de árvores.
85 a 90% do teor energético da madeira é perdido na forma de calor nos métodos tradicionais de cozinha. Esta baixa eficiência incrementa o uso de recursos naturais.
Mulheres e crianças gastam até 3 horas por dia em procurar, obter e transportar lenha para satisfazer as suas necessidades diárias.
Muitas crianças, especialmente raparigas, são impossibilitadas de ir à escola a tempo inteiro, pois precisam de ajudar na procura de lenha.
O custo com combustível para cozinhar pode representar mais de 30% do rendimento anual do agregado familiar.

A Solução

A aplicação do processo de digestão anaeróbia, pela construção e instalação de digestores anaeróbios de pequena escala, é uma solução simples, prática e eficaz, nas vertentes ambiental, económica e social.
Para a mesma taxa de acesso a energia, as emissões de poluentes percursores das alterações climáticas podem ser reduzidas de 0,4-0,9 biliões de toneladas de CO2 até 2020.
A redução de emissão de poluentes atmosféricos pressupõe a adoção de combustíveis limpos, como o biogás, conjugados com fogões de maior rendimento.
Estudos com fogões a biogás evidenciam a redução da poluição do ar doméstico até 90%, o que tem impactos significativos na saúde.
A utilização de fogões apropriados à queima de biogás reduz a inalação de fumos especialmente entre as mulheres devido à prática da confeção dos alimentos.
Os fogões adaptados potenciam uma combustão completa reduzindo a perigosidade dos fumos gerados para a saúde humana.
O correto encaminhamento dos resíduos orgânicos, especialmente se latrinas estão ligadas ao digestor, minimiza a disseminação de parasitas, doenças diarreicas entre outras.
O encaminhamento dos resíduos orgânicos, em vez de depostos indiferenciadamente, ao redor das comunidades minimiza a contaminação dos solos.
A inibição da deposição de resíduos junto aos cursos de água promove o incremento da qualidade dos recursos hídricos na envolvente das comunidades.
A digestão anaeróbia produz uma fração sólida higienizada, o digerido, passível de se usar como fertilizante orgânico.
A digestão anaeróbia é uma alternativa viável para materiais que, à partida, não teriam valor acrescido, como substitutos de biomassa e/ou combustíveis fósseis.
A implementação de um digestor anaeróbio de pequena escala pode evitar o consumo de cerca de 0.25 hectares de floresta por ano.
Fogões de cozinha adaptados para aproveitamento de biogás reduzem para metade as necessidades de combustível (lenha) para a mesma utilização.
A substituição do uso de lenha, com consequente redução do tempo gasto nesta tarefa, liberta mulheres e crianças para outras atividades – alfabetização.
Resíduos podem ser usados como combustíveis, diminuindo-se a dependência da compra e das oscilações de preço praticadas.
O aproveitamento dos resíduos pode significar uma poupança de mais de 30% do rendimento anual do agregado familiar.

O Projeto

A digestão anaeróbia é um processo biológico de decomposição da matéria orgânica na ausência de oxigénio. Este origina dois produtos: o biogás que ser usado em fogões adaptados ou como alternativa para iluminação e o digerido - a fração sólida que pode ser utilizada como fertilizante.
O projeto é financiado pelo Fundo Português de Carbono e conta com o apoio da Cooperação Portuguesa, através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Agência Portuguesa de Ambiente.
Bio&Energy tem como objetivo global contribuir para a redução da vulnerabilidade aos impactes das alterações climáticas em São Tomé e Príncipe.
Visando a boa execução do projeto, a Ecovisão e a Direção Geral do Ambiente de São Tomé e Príncipe definiram um plano de trabalho, estruturado em torno de quatro ações principais.
Dotar quadros técnicos e populações com as ferramentas necessárias à operacionalização de soluções de digestão anaeróbia.

Implementação

A seleção das comunidades foi feita tendo por base um conjunto de critérios técnicos, económicos e sociais nomeadamente:
- Dimensão e Número dos agregados familiares (AF).
- Inexistência de energia elétrica provida pela rede da Empresa de Água e Eletricidade de São Tomé e Príncipe (EMAE) e inexistência de previsão de expansão, a médio/longo prazo.
- Potencial agropecuário.
- Acesso à comunidade e organização das habitações.
- Proximidade ao Parque Natural do Obô de São Tomé e respetiva Zona Tampão.
Com os dados sistematizados dos inquéritos e campanhas de pesagem projetaram-se e instalaram-se cinco digestores anaeróbios em comunidades rurais dos distritos de Mé-Zóchi, Cantagalo e Lembá, respetivamente: Novo Destino, Mendes da Silva e Santa Jenny.

Em Santa Jenny e Novo Destino o trabalho desenvolvido consistiu em:
  1. abertura de vala para colocação dos digestores
  2. instalação dos digestores e rede de gás
  3. aterro e arranjos exteriores.
Em Mendes da Silva o trabalho desenvolvido consistiu em:
  1. definição, em terreno, do layout mais funcional
  2. realização de fundações de suporte às edificações a realizar
  3. construção
  4. instalação de rede de gás
  5. aterro e arranjos exteriores.
Com objetivo de mobilizar os diversos intervenientes - Governo, Camaras Distritais, Entidades Setoriais e Comunidades para apoio às atividades do projeto, foram realizadas 3 cerimónias Oficiais de arranque do projeto, simbolizadas com o lançamento da primeira pedra.
Envolvimento das comunidades para a operação diária do digestor, através da preparação dos resíduos a colocar no digestor e de água.
Estes elementos são fundamentais para o correto funcionamento dos digestores e para garantir a produção de biogás.
Atualmente 18 famílias, num total de cerca de 70 pessoas, utilizam biogás para cozinhar, em substituição da lenha percursor da deflorestação.
Ações de formação, desenvolvimento de folhetos e painéis de sensibilização e intercâmbio entre comunidades-alvo do projeto foram alguns dos meios utilizados para capacitação e sensibilização das comunidades.

Equipa


Maria João Martins
Ecovisão
Coordenação Geral

Arlindo Carvalho
Direção Geral do Ambiente
Coordenação de São Tomé e Príncipe

Ana Justo
Ecovisão
Gestão do Projeto

Débora Carneiro
Ecovisão
Coordenação Técnica

Gordon Ayres
Ecovisão
Assistência Técnica

Abnilde Lima
Direção Geral do Ambiente
Quadro Superior de São Tomé e Príncipe

Antónia Júnior
Direção Geral do Ambiente
Quadro Superior de São Tomé e Príncipe

Constantina Oliveira
Direção Geral do Ambiente
Quadro Superior de São Tomé e Príncipe

Elisângela Lima
Direção Geral do Ambiente
Quadro Superior de São Tomé e Príncipe

Mayra Baía
Direção Geral do Ambiente
Quadro Superior de São Tomé e Príncipe

Leonardo do Rosário
Direção Geral do Ambiente
Quadro de São Tomé e Príncipe
FINANCIAMENTO
ACOMPANHAMENTO TÉCNICO DE EXECUÇÃO
PROMOTOR
ENTIDADE EXECUTANTE

Contatos

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+351 220 433 309
Ecovisão
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